Do porquê discutir ideologia política no Brasil não faz sentido
O que significa ter ideologia política no caso brasileiro?
Significa, independentemente do lado que se escolha – isso se realmente existirem lados -, defender uma forma de governança fundamentada na corrupção.
Todas as alcunhas aos programas sociais como culpados pela redução ao incentivo empresarial, industrial e financeiro nada mais são do que tentativas de obliterar a verdade. A culpa pelo arrastado desenvolvimento econômico reside na corrupção governamental, aliada a corrupção por parte de setores privados altamente capitalizados.
Não é possível culpar apenas a inépcia governamental, principalmente porque ela é mais proposital do que involuntária. Ou seja, a incapacidade de governar de forma competente, é premeditada.
Desde o início do desenvolvimento empresarial, da alta capitalização da indústria e da bancocracia, a ferramenta estatal passou a servir aos interesses privados. A ilusão da democracia garante a segurança dos que dominam em detrimento da população ludibriada. A constituição do corpo governamental, embora eleito em processos aparentemente democráticos, é forjado pelo financeiro, bancando sua construção midiática, onde a verdade não tem lugar. Basta se perguntar o porquê de sempre os mesmo candidatos ganharem. Figuras tarimbadas que tentam buscar alguma semelhança com o povo, na intenção de através do carisma garantir votos ao partido ou legenda.
Por essa perspectiva pode-se perceber que não há lados. Não há divergência, há apenas uma classe interessada em manter-se no poder; aonde sempre estiveram e pretendem permanecer.
A peça teatral que tenta mostrar um duelo de interesses entre esquerda e direita tem sido eficiente. Pois desde sua existência reforça a fragmentação em castas sociais já criadas no processo produtivo. Afinal, se tais oposições existissem e fossem honestas na sua administração pública, não haveria diferenças no efeito social. Qualquer uma delas que operasse a política econômica e social de forma impessoal e correta resultaria em benefícios generalizados. Porém qualquer dos lados que assumam, vemos ineficiência clara, incompetência gritante, e má fé generalizada, ou seja, um único viés.
Então, ainda que existissem lados a se escolher, não seriam dignos da escolha. A corrupção é como uma árvore, e seus galhos são as ramificações corruptivas. Ainda que seja podada e seja dada uma aparência melhor, essa árvore vai continuar crescendo. É necessário atacarem-se suas raízes, é necessária a derrubada do poder instalado, é necessário o ataque às formas de produção e dominância com base do dinheiro.
Escolher um presidente que ponha o país em ritmo crescente em detrimento da mudança estrutural que se faz necessária na política só mostra como a sociedade está cega para a própria doença que a assola.
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