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Mostrando postagens de julho, 2015

O Homem é Um Universo

A origem de todas as coisas é a mesma. Seja da matéria cósmica ou da unidade divina, nossa essência é igual. Toda vida existente é composta de tudo que precisam para sobreviver, proliferar, e evoluir. E ao homem não foi diferente; recebeu todas as características em sua origem, inclusive na capacidade de se perceber como indivíduo pensante e definidor do meio. E ao abarcar em seu âmago um leque gigantesco de capacidades, apresentou-se-lhe a possibilidade de agir das inúmeras formas que age acerca das situações que se lhe apresentam. Ou seja, se o homem agiu com bondade, isto deve-se a uma seleção, involuntária ou não, do seu substrato essencial que assim o resultou. Similarmente vale para a maldade. Se assim agiu, deve-se a essa mesma seleção. Ou seja, o ser humano em sua essência não é definível, mas é um elemento composto por todas as possibilidades do ser. Suas escolhas imediatas são, então, regidas pela influência externa sobre aquele substrato interno. Somos todos cap...

Respostas Céticas x Religiosas

Por que seriam as respostas dos céticos, sobre fenômenos aparentemente inexplicáveis, menos aceitas do que a resposta religiosa? Sobre situações que são consideradas milagres, Os céticos dizem que tal tema pertence a uma área da qual não temos aparato adequado para promover o entendimento, não teríamos capacidade intelectiva para compreender, mas nem por isso tais efeitos deixam de ser naturais. A resposta religiosa seria dizer tratar-se de um milagre. Uma manifestação divina. Oras, aparentemente os céticos respondem, os religiosos atribuem, aceitam. Mas ainda que a resposta cética seja duvidosa, ela seria apenas tão duvidosa quanto a dogmática religiosa.

Dos Males o Pior

Historicamente repudiada por toda e qualquer sociedade, sob domínio de um estado organizado, e ao mesmo tempo disseminada nas veias das mesmas, disfarçada de pequenos delitos, indiferenças, conivências e mentiras; eis o cerne produtor da corrupção. É uma grande ingenuidade de uns e interesse de outros definirem como corruptor unicamente o que se atrela à política. Para ambos a ideia é eximirem-se de culpabilidade frente aos pequenos delitos que podem eventualmente cometer. "Ledo engano" daqueles que assim o pensam. Ainda que as diferenças quantitativas sejam consideráveis ou mesmo inquestionáveis, a essência dos atos é a mesma. A cola na prova, o troco errado não devolvido, o furto de coisas aparentemente imperceptíveis, fumar em local previamente proibido, ensinar criança acima da idade a fingir ter menos para obter algum benefício baseado na menoridade, etc. São todos pequenos delitos, vícios e atitudes de má fé, mas que a grande maioria não acredita serem sequer compar...

Leviatã – Thomas Hobbes

Leviatã – Thomas Hobbes Parte I – Do Homem “....o homem, antes de qualquer coisa, é um ser sensível....” Cabe salientar que toda construção da argumentação feita por Hobbes, está ligada a forma como ele descreve o entendimento humano. Este estaria fundamentado nas sensações. Elas seriam as responsáveis primarias pela forma como o homem se organiza. Partindo da descrição mais primitiva de sensação e suas consequências básicas, até a mais complexa organização social fundamentada nela mesma. Hobbes fala que as sensações seriam inicialmente a base do entendimento individual, a base da formulação dos conceitos; que através da linguagem, expressa em letras e fala, promoveriam a razão e a ciência, ou seja, promoveriam o entendimento social. E sobre elas reger-se-iam as relações intersociais, mas também nelas se fundamentam o estado de natureza e o conatus. Estes elementos estão diretamente ligados. Pois dada as inclinações do homem em satisfazer suas necessidades e prazeres...

Como eu faço as coisas

Dizem-me que enrolo nos pormenores, ensaio nos detalhes, discorro desnecessariamente, mas pensemos: assim como o que define um bom ato sexual são as preliminares bem feitas, logo, uma boa explicação depende de uma boa introdução. Pode-se usufruir de "uma rapidinha", mas geralmente os resultados são frustantes e o entendimento fica comprometido. Concordo que dependendo do tema, dispensa-se maiores detalhes, mas no geral, sempre prefiro fazer uma boa introdução, e explanar o máximo possível da proposição em questão.

A História Inconveniente

Quando tenta-se explicar a criminalidade ou condutas questionáveis, fundamentadas nas condições sociais, históricas e culturais, impostas aos indivíduos, encontra-se grande ceticismo e julgamentos de valor, assim como suas determinações transcendentais. Esse ceticismo nada mais é do que uma espécie de defesa construída, consciente ou inconscientemente, garantindo e legitimando todas as conquistas tidas como individuais. Admitir que a criminalidade é consequência da ausência do Estado com conivência da sociedade, amparadas pelos interesses econômicos de uma classe minoritária que dita as regras, e apoiada principalmente sobre a construção desigual tanto econômica como cultural, histórica e social, significaria dizer que o sucesso daqueles que não são "a criminalidade" restringem-se aos mesmo fatores, ainda que em diferentes graus. Por essa lógica, pensam estas pessoas, estarem deslegitimadas da construção das próprias conquistas. E estando a criminalidade constituída por u...

Religião e Argumentação

Não foi a moral que pegou valores religiosos e aplicou, mas justamente o contrário. Motivo pelo qual é possível estabelecer relações sociais bem sucedidas a partir, exclusivamente, da moral contemporânea (estabelecida transcendentalmente a moda de Kant).  A religião deve ser alimento particular, individual, mas jamais ferramenta de argumentação. Essa utilização só serve para gerar desconforto e discórdia.  Agora,quem não é capaz de formular argumentos que não sejam baseados na religião, tem seu aparato moral totalmente manipulável. Assim como suas opiniões e valores.

O Estado Produzindo a Criminalidade

A marginalização é a consequência direta da omissão Estatal. Onde o Governo é omisso, novas formas de sobrevivência surgirão. Em uma comunidade, quem diz que a população de lá não compreende as leis do Estado não percebe que eles precisaram criar suas próprias regras, normas e leis impulsionados na própria sobrevivência. O Estado nunca esteve lá, nunca ofereceu o mínimo senão por interesse eleitoral. Marginalizou (histórica e contemporaneamente) uma população que se espremeu nas periferias e buscou por conta própria a sua sobrevivência. Se estruturou e se organizou da forma necessária. Todo mundo quer viver, e não se trata de uma questão legal supostamente garantida pela Constituição. Se trata de obviedade. O ser humano pode ser totalmente utilitarista no que tange ao consumismo, ao frenesi capitalista, mas quando se trata de ser utilitarista no que tange a sua vida aí não pode?! É, realmente não pode, da mesma forma que uma população não pode ser esculachada dos centr...

A Chave

Gradativamente cerco-me de todas as dúvidas, pois nas certezas reside toda a ignorância.

Quando o Homem Nasce Mau

Segundo essa lógica, ainda pensa-se no homem como o homem hobbesiano (o homem é o lobo do homem). Ainda segundo essa lógica, o homem é inclinado às suas autossatisfações, busca ininterrupta pelo seu prazer e realização dos seus desejos, independentemente do que os demais seres humanos achem. Na ideia hobbesiana, dado essa característica peculiar do homem, o Estado é o responsável por subjugar de forma soberana os desejos descontrolados daquele ser. Tanto que atribuiu-se a ele a analogia ao monstro Leviatã, de indomável poder. Sob um Estado forte e soberano o homem condicionaria-se a viver e usar dos seus desejos de forma adequada. Porém, sendo o Estado, fraco, relapso e sua imagem muito longe de um Leviatã, o homem instintivamente cria novos sistemas que o protejam daquilo que o Estado anteriormente deveria fazer. Atualmente o capital privado, pelo menos para poucos, garantiu essa transferência de responsabilidades Estatais para meios privados, como segurança, ensino e saú...

Impressões e Ideias

Uma coisa curiosa sobre o homo sapiens contemporâneo é o seu "achismo". Toda a construção das nossas ideais deve estar baseada nas nossas impressões. Ex: só sabemos o que é o calor do fogo porque já sentimos, só sabemos o que são as linhas limites, arestas, pontos, porque vimos, só sabemos o que é uma dor de cabeça porque sentimos, etc. Não tem ligação com a explicação sobre as ideias mas unicamente em se houve a impressão. Porém habituamo-nos a estendermos nossas ideias para impressões que nunca tivemos e assim geramos noções deturpadas e errôneas do que são, porque são ou como são as coisas para essa ou aquela pessoa, ou ainda um determinado grupo social. Outra forma de entender a dependência das ideias nas impressões é imaginar alguém que nasceu cego. Como explicar o que é um quadrado se isso depende de explicar o que é uma linha, uma aresta ou como explicar o que é a cor verde? Suas noções, concepções ou ideias serão construídas através do tato, mas não pode-se g...

Sobre o Conceito de Caráter e as Confusões

Tem-se utilizado de uma definição conturbada, errônea e limitada do conceito de caráter para justificar pré-julgamentos. Percebe-se que os atributos dados ao termo "caráter" são atribuídos de forma arbitrária, conveniente e paradoxalmente transcendental, "caráter é x, y, z inerentes ao ser e coincidentemente eu me encaixo nesta definição, que bom." Este erro é fundamentado na própria incapacidade, e desinteresse, em analisar "por que penso desta forma?". Ou seja, em uma espécia de comportamento automático, através de informações superficiais mal formuladas e mal entendidas faz-se um julgamento de valor sobre o outro, ainda que as experiências individuais sejam totalmente diferentes. Aqui ocorre também o erro de imaginar que as impressões adquiridas por nós equivalem às impressões adquiridas pelos outros. Tem-se o habito de extrapolar-se ideias inerentes às experiências de um indivíduo aos demais. Mas essa ação é equivocada, a fome de 3 ou 4 horas ...