A História Inconveniente

Quando tenta-se explicar a criminalidade ou condutas questionáveis, fundamentadas nas condições sociais, históricas e culturais, impostas aos indivíduos, encontra-se grande ceticismo e julgamentos de valor, assim como suas determinações transcendentais.

Esse ceticismo nada mais é do que uma espécie de defesa construída, consciente ou inconscientemente, garantindo e legitimando todas as conquistas tidas como individuais. Admitir que a criminalidade é consequência da ausência do Estado com conivência da sociedade, amparadas pelos interesses econômicos de uma classe minoritária que dita as regras, e apoiada principalmente sobre a construção desigual tanto econômica como cultural, histórica e social, significaria dizer que o sucesso daqueles que não são "a criminalidade" restringem-se aos mesmo fatores, ainda que em diferentes graus.

Por essa lógica, pensam estas pessoas, estarem deslegitimadas da construção das próprias conquistas. E estando a criminalidade constituída por uma situação de desequilíbrio, também equivale dizer que o restante segue essa mesma lógica do desequilíbrio.

Dificilmente aceito e explicavelmente dificultoso é este processo histórico determinante do hoje. Assim como a pobreza tem seu fundamento nas medidas de políticas econômicas e sociais ao longo da nossa história, o restante das classes sociais também o tem.

Logo, você que tem sua empresa construída com seu suor, suor dos seus pais e avós e etc, saiba que em algum momento, longínquo ou próximo, aquele esforço individual baseou-se em alguma desigualdade justa ou injusta. Se hoje você acha que aquela culpa (em caso de injustiça) não é sua, também ela não pertence às classes baixas e novamente a meritocracia não é válida e pré-julgamentos não devem ser feitos.

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