Sobre o Conceito de Caráter e as Confusões

Tem-se utilizado de uma definição conturbada, errônea e limitada do conceito de caráter para justificar pré-julgamentos. Percebe-se que os atributos dados ao termo "caráter" são atribuídos de forma arbitrária, conveniente e paradoxalmente transcendental, "caráter é x, y, z inerentes ao ser e coincidentemente eu me encaixo nesta definição, que bom."

Este erro é fundamentado na própria incapacidade, e desinteresse, em analisar "por que penso desta forma?". Ou seja, em uma espécia de comportamento automático, através de informações superficiais mal formuladas e mal entendidas faz-se um julgamento de valor sobre o outro, ainda que as experiências individuais sejam totalmente diferentes.

Aqui ocorre também o erro de imaginar que as impressões adquiridas por nós equivalem às impressões adquiridas pelos outros. Tem-se o habito de extrapolar-se ideias inerentes às experiências de um indivíduo aos demais. Mas essa ação é equivocada, a fome de 3 ou 4 horas sem alimento não é a mesma fome de 1 ou 2 dias. A primeira não força ninguém a alimentar-se de resíduos do lixo ou a roubar para comer.

Podemos fazer uma análise de como construímos nosso entendimento, explicar porque pensamos como pensamos e dessa forma sermos menos pretensiosos, arrogantes e infelizes no julgamento alheio. Esse entendimento reside no conhecimento.

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