Arrependimento
"Melhor fazer o que se deseja do que se arrepender de não te-lo feito".
Eis uma das máximas mais esbravejadas pelos sábios comuns, porém, tão equivocada quanto.
O que é pouco entendido sobre isso é que não existe arrependimento sobre consequências de ações não realizadas. Pois isso é imprescindível ao arrependimento. De qualquer ação realizada, isso inclui em ambos sentidos (por exemplo, falar e não falar são ações antagônicas, porém realizáveis), resultam consequências das quais pode-se, ou não, se arrepender. Se não existem consequências - ou seja, não existiu ação - não é possível existir o arrependimento.
Portanto, os corações pesados pelo arrependimento de ações não realizadas, estão arrependidos em virtude justamente do oposto; das ações realizadas. Quando alguma consequência é demasiada triste somos levados a pensar que se tivéssemos agido de forma oposta, as consequências seriam também opostas, o que não é necessariamente uma verdade. A própria aposta sobre o desconhecido é uma impossibilidade, pois as referências são sempre as consequências vividas, nunca as não vividas.
O que podemos aprender com o arrependimento, como descrito acima, é entende-lo como uma variável condicionante. Uma vida cheia de arrependimentos pressupõe uma vida insatisfeita com ações realizadas, e não ações não realizadas. De tal modo que, talvez, seja interessante uma mudança de postura. Mas já não é mais um tiro às cegas, não é uma aposta no desconhecido (consequências de ações não realizadas), mas uma mudança de paradigma fundamentada nas experiências.
É o que entendo sobre o arrependimento. Ainda mais porque ele também está atrelado às memórias ou esperanças. Nietzsche condenava ambas; tanto as primeiras, por tratarem-se de idealizações da fatos passados, quanto a segunda por tratar-se de construção idealizada do futuro. Para ele, ambas são escapes da vida presente; as pessoas, em sua incapacidade de saborear a vida presente - com seus prazeres e dores -, fogem para memórias de algum passado idealizado como melhor, ou projeções futuras, também supostamente melhores do que o presente.
Assim o defino hoje, com os conhecimentos acumulados até hoje. O que eu pensar amanhã pertence ao Alex de amanhã.
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