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Mostrando postagens de maio, 2018

A República - Platão - Resenha atualizada

A guerra do Peloponeso colocara Atenas em uma situação de sujeição à Esparta, após sua derrota. A derrocada da democracia ateniense e dos anos dourados de Péricles suscitaram em alguns pensadores os problemas daquela forma de governo e dos valores políticos subjacentes a elas. É com essa perspectiva que Platão escreve sua obra, colocando nos diálogos entre Sócrates, Céfalo, Glauco, Adimanto, Polemarco, e Trasímaco, os questionamentos sobre o conceito de justiça. Na busca dela, ele perpassa pelos valores subjacentes à sociedade ateniense como em tom de crítica, mas principalmente de proposta de mudança.   A o discorrer sobre a justiça no indivíduo, Sócrates, a procura no Estado, visto que este é a manifestação daquele; apontando os comportamentos que tornam justos os cidadãos e os políticos, ele evidencia justamente seu oposto: os comportamentos perniciosos, degenerados e injustos do povo e de seus governantes.          ...

Das Implicações Para O Pensar Sociológico Posto Sua Genealogia E Trajetória

O ápice das transformações sociais em seu aspecto qualitativo, observado nas rupturas do passado com a presente modernidade, constrói-se sobre agitações culturais, sociais, religiosas, econômicas e políticas. A derrubada de um regime fechado em si, a expansão comercial, a transição de modelos econômicos, a retomada dos pensamentos clássicos, o fomento cientificista calcado nas expansões marítimas, a emancipação da razão das amarras teológicas e o posicionamento do homem como centro do universo, erigiram os pilares das revoluções que sucederam essas etapas.  Vinha à tona a Era de Prometeu. Na posse de conhecimento, criatividade e subvertida a natureza, de deusa à matéria-prima, os homens colocaram-se em condição de escreverem a própria trajetória, a própria história. O tecido social tradicional fora rechaçado pelas duas Grandes Revoluções – Industrial e Francesa. A automatização do maquinário se apresentava como obra prima, mas voltava-se como força coercitiva na própria autono...

A Ditadura da Felicidade

A vida do homem é permeada pela doutrina da pseudo-felicidade. E ai daquele que não reconheça as benesses da vida: o emprego, a saúde, a família, os amigos, o teto, a comida, etc. Fadado ao apedrejamento social, taxado de ingrato, clinicado como depressivo; é a isso que se resigna o indivíduo que atenta contra a felicidade. Ironia é que nós a buscamos, continuamente, porque continuamente não a temos. A vida é esse ciclo de desgosto por pequenos respiros de felicidade. Isso não torna a vida feliz. O emprego é uma bosta, a saúde uma bosta, a família formada por gente que não se suporta, os amigos raros, o teto caindo aos pedaços, a comida é junk-food, delicia assassina, ou saudável e insossa. A vida é uma versão beta de um experimento fadado ao fracasso. Eventualmente a loucura nos torna felizes.