Conhecimento e Linguagem

A linguagem; precursora do evolucionismo comunicativo e tudo que a ele se atrela. Ou assim deveria ser. 

A linguagem, como expressão escrita e falada, é o resultado de um processo de seleção lógico na cabeça de cada indivíduo, e exposto em letras e som articulado inteligivelmente. Com esta capacidade comunicativa, o potencial humano atingiu seu ápice. Porém, potencial não equivale necessariamente a efetivo; e na efetividade o homem reside, limitado pela arrogância e em sua débil capacidade comunicativa que vem beirando somente a emissão de palavras sem valor ou essência, galgando muito lentamente seu potencial total.

Dada essa alucinação de que nos comunicamos pecamos no que é essencial nesta habilidade magnífica de nos comunicarmos, que é o aprendizado. Os diálogos são essenciais à evolução cognitiva e intelectiva; principalmente o diálogo consigo mesmo. O autoconhecimento e a ferramenta suprema do sucesso de sociabilidade e da busca de uma boa vida.

Na filosofia o autoconhecimento é indispensável. Sócrates já evidenciara a necessidade do conhecimento, e este viria da busca primeiramente de si e consequentemente o conhecimento alheio estaria disponível em sua plenitude; pois ao desconhecer-se não haveria possibilidade de conhecer o alheio com clareza. Nessa situação estaríamos sujeitos aos engôdos dos demais. 

Sendo a linguagem um resultado expresso daquilo que se pensa, se não se sabe o que pensa com clareza emite-se opiniões falhas e também aceita-se opiniões falhas dos outros; é facilmente levado pela retórica, erística ou demais reforços verbais.

Aqueles que estão no poder conhecem as ferramentas, os métodos e as formas de dominância. Mas ainda assim não se conhecem, não possuem a virtude em si. Pois, novamente como Sócrates disse, a maldade nada mais é do que a ausência de conhecimento; pois o conhecimento - sempre o próprio e depois o alheio, oferece o caminho para a virtude, que é o bem - certamente não de forma subjetiva.

Aquele que detém o poder e desconhece seu íntimo, vaga pelas pradarias da futilidade, recheadas de subterfúgios psicológicos que o impede de ver a própria ignorância. Lá é erudito, deus detentor da pseudo-sabedoria e nesta situação pretende manter-se.

Ao menos, gradativamente - ainda que muito lentamente - o valor efetivo do conhecimento, pessoal e impessoal, aumenta. A cada geração, alguém que se submeta a uma autoanálise e a um ensinamento adequado daquilo que é virtuoso, chega mais próximo do cume de todo o potencial do conhecimento humano. 

O conhecimento do todo reside no conhecimento de si em sua plenitude. E a linguagem é a ferramenta adequada a esse desígnio, antes interiormente e depois aos demais.

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