É Reflexo de Problemas na Educação

A péssima educação brasileira não é caso de mera incompetência, mas resultado de um projeto de perpetuação hegemônica. A capacidade dos deseducados de filtrar as informações benéficas e prejudiciais está completamente avariada.

- Problemas na saúde: é reflexo de problemas na educação. 

Além de não perceber que o sucateamento da saúde pública fomenta o setor privado de planos de saúde e hospitais, alimenta as empresas privadas prestadoras de serviços variados ao setor público, dando margem para fraudes em licitações e contratações de empresas ou funcionários fantasmas, a educação deficitária também é responsável direta por vários dos problemas de saúde da população mais deseducada, sejam nas questões alimentares, hábitos perniciosos como álcool e cigarros, e condutas de vida baseadas na péssima informação e no engodo por parte da indústria alimentícia, ou mesmo no próprio trabalho, que exaure as energias físicas e psicológicas do povo, este, demandando todo tipo de remédios. Com isso também favorecendo a indústria dos fármacos. 

- Problemas de segurança: é reflexo de problemas na educação

Além das possíveis prestadoras de serviços que se beneficiam com a existência de presídios, e as que vendem os equipamentos e materiais utilizados na segurança pública, seja pelos policiais ou pelos trabalhadores das penitenciárias, a falta de educação é a base que sustenta tal pirâmide, pois é a existência dos criminosos que legitima tais dispêndios. Além de que a criminalidade fomenta mercados alternativos, como a possibilidade de condomínios fechados, seguranças particulares, mesmo escolas particulares. Cuidados médicos por parte dos criminosos e dos policiais refletem nos gastos de saúde.

- Problemas sociais: é reflexo de problemas na educação

A educação deficitária sustenta desigualdades sociais em âmbitos materiais e simbólicos. Desde pessoas em situação de rua até preconceitos e racismos. Isso demanda recursos para projetos alternativos que intencionam compensar essa discrepância, ou seja, um recurso direcionado para satisfazer uma necessidade que deveria resolver-se no ensino comum, básico. Demanda também recursos para minar a fome resultante do desemprego, o que dificilmente ocorreria em caso de níveis altos de educação.

- Problemas econômicos: é reflexo de problemas na educação

A deseducação nos mantém como países exportadores de produtos primários e importadores de bens tecnológicos. Os poucos cientistas que se formam saem do país pelo baixo reconhecimento e incentivo. A educação deficitária não promove o desenvolvimento, logo, não promove a liberdade. Apenas fomenta um mercado alternativo de cursos particulares, profissionalizantes, todos focados no ensino técnico, direcionado para a indústria e comércio, mas produzindo poucos cidadãos conscientes e críticos. É uma educação focada na doutrinação para o trabalho, uma educação que visa ensinar a vestir bem o cabresto do sistema econômico. A desinformação também fomenta o mercado bancário, enquanto o populacho trabalha anos para terminar de pagar uma conta, tal sistema exorbita em milhões e aparece como elemento benéfico, quando é um dos vilões.

- A política brasileira: é reflexo de problemas na educação

A deseducação permite que o governo perpetue as mazelas do povo, extrapole no uso dos seus recursos, promova ainda mais sua expropriação e garanta sua permanência através do uso da lei. O povo permanecendo coeso pela legislação e não pela educação estará sempre nos arreios, sempre sob controle. A falta de educação não permite ao povo, mesmo que infeliz com o governo, que promova sua própria emancipação, pois não sabe como fazê-lo, nem como continuar se consegui-lo.

- A educação brasileira: cumpre com um projeto de dominação hegemônica 

A educação como se apresenta não é péssima porque o governo seja apenas incompetente, mas por tratar-se de um mecanismo de perpetuação do seu poder. A sociedade está dividida em esferas econômicas e profissionais, e para preencher tais espaços e cargos é necessário certo número de pessoas, assim como para manter os salários em certo nível é necessário que existam muitas pessoas para mantê-lo em um baixo nível. Escolas particulares para formar pessoas que ocuparão cargos de relevância, enquanto a escola pública forma a base que sustenta o desenvolvimento econômico, ou seja, operários, vendedores, lixeiros, frentistas, e toda gama de trabalhos de baixa necessidade intelectual, que embora aventados como dignos, não são ocupados por quem estuda nas particulares. 


É obvio que elenquei os problemas mais visíveis, muitos outros jazem sob o topo desta montanha. Mas é suficiente para percebermos que é na educação que deve-se investir tudo, muito menos no ensino técnico e muito mais no ensino amplo, com disciplinas que fomentem o desenvolvimento crítico e a evolução do ser. Todo o restante gradativamente se resolve.

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