Integridade

Daquilo que já fora digno de honra e orgulho, agora condena aos que neles se fiaram. Não há mais vida para a integridade nem para os que nela depositam credibilidade.

Nos mais simples atos os hábitos corrompidos espreitam. Na alimentação oriunda da escravidão nos longínquos campos, nas mercadorias originarias da expropriação dos trabalhadores mas principalmente dos recursos naturais; produção violenta, produção nojenta. Cada peça material revestida pelo mal. E os favores, esses sim, atores sociais, condenam quem os faz; impregnam o seio administrativo e tornam privado o que fora público.

E quando da-mo-nos conta do que nos rodeia e tentamos resistir, sentimos nossa força vital se esvair. Aos favores negados, opressão; ao consumo rejeitado imposição; a sobrevivência se vestiu daquilo que é mau, ou entramos no jogo ou sofremos por tal. 

Não há escapatória, cada segundo vivido é uma linha a mais na história; um conto das almas perdidas, das almas vendidas. A integridade, por mais bela que seja, não corteja a todos; e àqueles a quem o faz condena ao frio mordaz da solidão, da opressão.

A corrupção nos persegue e o sofrimento gritante do plante é ensurdecedor. Aos aspirantes a íntegro, os gemidos de dor. 

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