Sobre Doutrinação

Muito se critica sobre uma doutrinação marxista nas escolas, porém pouco se sabe sobre a real doutrinação.

Da pré-escola ao superior, e além, somos domesticados para o trabalho. Antes mesmo do nascimento os familiares já nos haviam impostos suas expectativas. Porém não nos ensinaram a entender o trabalho em sua essência nem em compreender porque ele é como se apresenta, mas apenas ensinaram-nos que precisamos estar preparados para ele; o princípio da necessidade suplantando o princípio da contingência.

Espicaçados desde a infância,, pelos valores individualistas, sentimentos de competição, pela premiação do esforço individual porém inexplicada as suas origens capacitantes, e por outros mecanismos que naturalizam arbitrariedades responsáveis pelos sucessos e fracassos, assim se dá a domesticação do homem. Na família, na comunidade, nos meios de reprodução midiáticos (respectivos a cada tempo), nas religiões e principalmente recrudescido na escola.

A meritocracia é a menina dos olhos da competição capitalista e também o subproduto dos valores reproduzidos na sociedade e ensinados nas escolas. É também uma mascara para o darwinismo social, uma ideia do Sec. XIX que tinha por base o entendimento de que o sucesso de alguns em detrimento de outros era mero resultado da seleção natural dos mais aptos. Ideia que o próprio Darwin refutou como deturpação do seu conceito em benefício da legitimação da superposição social.

Eis a real doutrinação, A reprodução e o ensino de ideais construídos pela superestrutura nos mantem cegos para os acontecimentos da infraestrutura, ou seja, os acontecimentos reais, os encontros reais, as sujeições reais, a fundação social real. O estudo antropológico mostra como se dão essas relações reais, e como elas contribuem para a estrutura social e construção ideológica, porém o que se ensina na escola, é o ideológico e não o real. 

Nós já estamos doutrinados por um modelo liberal, por isso a crítica aos poucos professores que ensinam a base real da história. O poder vigente não quer ser ameaçado por outro. Alcunha-se esse ensino de doutrinação marxista suportando-se sobre os preconceitos já fomentados, no tocante ao comunismo, socialismo, distribuição de renda entre outras técnicas psicológicas como apologia generalizada da pobreza. A Escola Sem Partido é mais uma das ferramentas desta retórica liberal. Intenta-se com ela, eliminar os focos  de um suposto partidarismo que ameaçaria o direito da livre expressão dos demais, uma doutrinação marxista; ironicamente é justamente o que essa proposta faz, .
Não nos preocupemos então com a suposta "doutrinação marxista" mas sim com a real doutrinação liberal. 

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