Da Transcendentalidade das Capacidades Inerentes
As capacidades inerentes individuais não existem isoladamente, portanto não são inerentes, mas transcendem ao indivíduo até seu real determinante: o meio em que está inserido. Não entendamos o meio como apenas meio social, mas como meio geográfico, econômico, político, cultural e histórico.
Senta, que la vem a historia....
Pois bem...Se antes do Big Bang não havia nada, portanto qualquer coisa após ele é mero subproduto do seu anterior sujeito às alterações materiais na explosão originadas. A gravitação, formação de estrelas e planetas, e posteriormente, a vida.
Dessa forma, pressão atmosférica, sua composição química, assim como dos demais componentes do planeta, a radiação solar, entre outros fatores, moldaram a vida na terra. E como seres vivos inseridos nesse planeta, não pudemos nos esquivar dessas sujeições e suas transformações.
Tais fatores agiram sobre os homens e mulheres primitivas, determinaram sua fisiologia e biologia, aceleraram ou não mutações genéticas, de tal forma que a prole deles originada herdaria e incorporaria tais resultados, transmutados em suas características. Tais caraterísticas são então transcendentes aos indivíduos, pertencentes ao meio.
Não podemos esquecer que desde o início as relações humanas, das primitivas às modernas, se organizavam ao redor daqueles que forneciam os meios de sobrevivência. Dos nômades aos sedentários, concomitantemente às variáveis impostas pela natureza atuavam as variáveis sócio-culturais.
Estruturadas as sociedades segundo suas relações de produção, atuavam sobre os indivíduos toda essa carga estrutural, somadas às variáveis deterministas naturais supracitadas. Percebendo a existência da desigualdade social, podemos imaginar várias diferenças, como por exemplo aos mais abastados teremos formas de alimentação mais saudáveis, informação e capacidade de apreende-la mais efetiva e eficiente, acesso à saúde de qualidade, lazer e qualidade de vida, ou seja condições materiais e psicológicas mais favoráveis do que aos menos favorecidos.
Não há como dizer que o fruto do ventre de classes diferentes podem possuir capacidades inerentes semelhantes em virtude da degeneração fisiológica e biológica aos quais cada uma delas estão sujeitas respectivamente. Sim, ambas estão sujeitas às variáveis naturais, mas são os mais pobres que estão mais sujeitos às variáveis sociológicas degenerativas.
Portanto as supostas capacidades inerentes são sim produtos histórico-sociais. Elas transcendem o indivíduo e repousam sobre o meio passado e presente. Logo, as facilidades com exatas ou humanas, os gostos musicais, cinematográficos, e etc são resultados dos processos sociológicos. .
Engana-se aquele que diz que tal teoria retira dos homens toda sua responsabilidade tanto dos sucessos quanto dos fracassos. pois como disse Bourdie: os homens são as estruturas estruturadas e as estruturas estruturantes, ou seja, a humanidade como produto do meio e produtora do meio. Nós somos e fazemos a história, somos passivos e ativos na construção sociológica. Nossa razão livrou-nos da mera reprodução e nos deu capacidade de apreensão desta antropologia que condiciona o homem a encontrar os motivos da sua história e como se tem dando até então, assim como o capacita de prosseguir com ela ou mudá-la.
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