O Meio e os Pontos Fora da Curva

Das retóricas cotidianas , algumas sofismas outras ignorância, jaz a necessidade de alguma dialética. 

No uso do materialismo histórico podemos construir o caminho da socialização da humanidade. No uso da filosofia e da psicologia tentamos compreender o porquê de tal percurso; sua origem, para mim obviamente, encontra-se ainda obscura, mas especulo na essência primordial os motivos para cada singularidade possível.

O tema contido pelo título explica-se com maior enfase pelo materialismo histórico. A construção sociológica humana através das relações materiais pressupõe justamente o determinismo dessas relações ao meio e pelo meio. Ou seja, a humanidade ao se relacionar, em especial pela função primordial, a saber, o trabalho, constroem as bases materiais das relações que concomitantemente subjazem as relações posteriores.

Dito de outra forma, as relações materiais são determinadas, determinam e alteram os modelos arquetípicos correspondentes à cada dominância. Novamente ressalto que não visualizo claramente o arquétipo primitivo que teria dado origem a evolução das demais relações humanas.

Retomando. A ideia principal é afirmar a preponderância do meio como determinante das características individuais e consequentemente responsável pela estrutura coletiva. Mas o meio para cada indivíduo e constituído de encontros exclusivos; não há possibilidade de mais de uma pessoa possuir os mesmos encontros, o que nos leva a afirmar a singularidade perfeita. Daí podemos deduzir a explicação dos pontos fora da curva. Em ambientes hostis, geralmente cercados de violência de todos os tipos, alguns encontros (geralmente ocultos e esquecidos por todos) podem ser definitivos na construção da psique individual. Assim favelados tornam-se empresários, filhos de pais alcoólatras podem reagir de formas antagônicas entre si ( alguns podem tornar-se alcoólatras outros não), ou mesmo os abastados enveredam para a criminalidade.

Portanto, a influência do meio é evidente e inquestionável, tendo sua base dividida nas esferas macro e micro. O problema é que as pessoas sempre observam o macro, quando muitas das respostas estão nas micro-relações, micro-encontros responsáveis pela singularidade perfeita, e esta singularidade perfeita responderá posteriormente às macro-relações.

Cabe ressaltar que não precisamos, e aliás dificilmente conseguiríamos, desmembrar ou descobrir todos esses encontros definitivos, pois os mesmos fazem parte da construção do nosso inconsciente. Mais de 90% das nossas ações e escolhas respondem no inconsciente; quando pensamos escolher algo, certamente este algo já fora escolhido.

Este texto vem em refutação direta àqueles que argumentam favoravelmente às capacidades inerentes de cada indivíduo como responsáveis exclusivas pelas suas ações e resultados. Porém, poucos percebem que mesmo estas capacidades são determinadas pelo meio, conforme outro texto que expus.

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