Mais do Mesmo

A superficialidade com a qual os vários temas possíveis são tratados é gritante. Quase ninguém vê que opiniões sobre a ponta do iceberg ou as ramificações do topo da árvore estão longes da base ou das raízes dos problemas. 

Para as questões de violência: glorificação do armamento do cidadão de bem, redução da maioridade penal, pena de morte, caça as bruxas dos direitos humanos e o linchamento são exemplos da bizarrice pseudo-argumentativa reinante. A maioria não sabe as origens dos problemas mas pensam saber resolve-los com medidas enérgicas de saneamento social. Convenientemente, saneamento do social ao qual não pertencem. 

Eis o coice da mula, ou do revolver. Eis o tiro no próprio pé que se dão os cientistas de sofá e novela; ou muito pior, gente que deveria ser bem entendida reproduzindo subjetivismos como se fossem estudos comprovados. 

É compreensível, pra não dizer aceitável, que aqueles que se beneficiam desse comportamento o fomentem ainda mais, mas é inaceitável e descabida a reprodução de tais entendimentos enganados e enganosos pelos cidadãos aos quais isso não é interessante.

Não, a arma não impede o crime; apenas o acaso que colocou o "herói"atrás do "vilão" na hora "certa". Não, ninguém nasce bandido, mas as várias, e desconhecidas por todos, circunstâncias (individualmente específicas) histórico-sociais sob as quais cresce um indivíduo podem tê-lo direcionado para a criminalidade. Não existe cidadão de bem, existe apenas aqueles cujas relações materiais até determinado momento acionaram determinados gatilhos comportamentais de suposta pacificidade.

E não existe ninguém cujo Estado não tenha tocado, todos dependeram dele, para o bem e para o mal, não existe o self-made man, não existe meritocracia, nem vitimismo; existe apenas constatação histórica.

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