Pensem nas Crianças


É no ensino infantil, fundamental e médio que devemos focar os olhares.

Partindo da premissa que o desaprendizado é mais doloroso e menos eficaz em adultos, e quanto maior a idade maior é a resistência ao processo, percebe-se que é nas crianças em seu processo de aprendizagem que devemos focar.

As instituições escolares, públicas em especial, não mais ensinam, apenas domesticam. Se entra na pré-escola pensando em sair pronto para o mercado de trabalho, seja após o ensino médio, seja após a graduação. Não mais conseguem ensinar a pensar, apenas a executar com eficiência; aqueles professores que tentam fugir da mecanização sofrem alcunhas de doutrinação esquerdista, comunista, marxista e afins - como se alguma delas fossem vexatórias.


Das escolas públicas saem aqueles que contribuem com os trabalhos menos dignos da sociedade, das particulares saem aqueles que mandarão, nem por isso foram menos domesticados do que os demais. O "governo" contribui na produção do rebanho retirando disciplinas que promovem o senso crítico, o conhecimento das origens segregadoras da sociedade e mantém aquelas mecanizadoras, boa leitura, pouca interpretação e ótima execução sem questionamentos.

Depois de adultas, domesticadas e levadas pela coleira pelos seus donos, torna-se dificultoso soltar essa coleira; resistem, pois anos de suas vidas foram dedicados a essa farsa, talvez até uma vida toda. O desaprendizado pode ser libertador, mas em muitos casos é também doloroso; por isso deve-se observar o ensino das crianças e adolescentes.

O ensino deve ser exclusivamente para promover a independência intelectual, a capacidade pensante, inventiva e libertadora, jamais domesticadora. Chega do ensino para doutrinação para esta forma de trabalho; o trabalho que vier depois da nova fase do homem social pensante toma nova forma, perspectiva e finalidade.

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