Respeitando as Diferenças, Respeitáveis

A variedade do gosto humano dá margem para infinitas discordâncias; das cores aos sabores, da música, do cinema, da literatura, e de fato, a tempestade neuronal traduzida nas sensações tem sua origem inquestionável.

Que alguns gostem da cor preta, outros da cor branca é aceitável; que alguns gostem de de feijoada e outros de lagosta é normal; que alguns gostem de comédia e outros não, a aceitação é obrigatória para a boa sociabilidade.

Mas nem toda posição deve ser entendida como mero ponto de vista. Opiniões que se relacionem, derivem, e alterem o meio social não devem ser tomadas apenas na esfera da particularidade de cada indivíduo. 

Seja religião, economia, sociologia, política, educação, saúde, entre outras de inter-relação social ativa, não é possível uma tolerância demasiada. É possível a existência de alguma flexibilidade no tocante a execução prática, condicionando a opinião à possibilidade real de atuação; além dos limites da razão, da lógica, da dignidade e dos valores éticos e morais ( longe de construídos pela dominância, em suas várias formas, e religião, mas discutidos em sua abstração máxima necessária), ela não pode ser aceita. 

Não há opinião sexista, misógina, preconceituosa e racista que possa ser sustentada por argumento algum. Não é possível respeitar opiniões cuja base seja discriminatória, tanto econômica, étnica, racial, quanto de gênero e estética. Não existe na experiência histórica - que é a melhor ferramenta de estudo e análise - argumentos que justifiquem esse tipo de postura.

E se entrarmos no mérito do arsenal argumentativo que sustenta a opinião de uma grande maioria alfabetizada para ser bom funcionário e péssimo chefe, perceberemos que não há base que a sustente, não há pilares inquebrantáveis, existe apenas a ingestão contínua e não questionada sobre tudo que seja questionável. Encontraremos exclusivamente argumentos cuja base é a subjetividade, ou seja, argumentos que sejam favoráveis ao indivíduo emissor.

Resumindo, existe um limite para respeitar a opinião alheia. E esse limite é: as consequências sociais, históricas, econômicas, políticas e culturais resultantes de uma possível realização da mesma.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Dos Pré-Socráticos a Platão: Ruptura, Caos e Nascimento

Resenha: O 18 Brumário de Luís Bonaparte

A República - Platão - Resenha atualizada