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Mostrando postagens de 2015

O Segredo da Felissidade*

Seja cego à verdade, Surdo à realidade, Obedeça, desapareça Tenha fé, seja tolo, trabalhe demais, e como consolo, Agradeça ainda mais, Festeje seus farelos, suas sobras, seus restos, seus dejetos Reverencie de joelhos Os líderes do seus desejos queira sê-los e continue nestes pesadelos, Mantenha-se nos fios condutores, Não questione seus tutores, Passivamente viva, E sobreviva

Do porquê discutir ideologia política no Brasil não faz sentido

O que significa ter ideologia política no caso brasileiro? Significa, independentemente do lado que se escolha – isso se realmente existirem lados -, defender uma forma de governança fundamentada na corrupção. Todas as alcunhas aos programas sociais como culpados pela redução ao incentivo empresarial, industrial e financeiro nada mais são do que tentativas de obliterar a verdade. A culpa pelo arrastado desenvolvimento econômico reside na corrupção governamental, aliada a corrupção por parte de setores privados altamente capitalizados. Não é possível culpar apenas a inépcia governamental, principalmente porque ela é mais proposital do que involuntária. Ou seja, a incapacidade de governar de forma competente, é premeditada. Desde o início do desenvolvimento empresarial, da alta capitalização da indústria e da bancocracia, a ferramenta estatal passou a servir aos interesses privados. A ilusão da democracia garante a segurança dos que dominam em detrimento da população lud...

Karl Marx

Trabalho de História do Pensamento Político I – França  A maior expressão da luta pela liberdade, diz-se, reside na Revolução Francesa. Liberdade, Igualdade e Fraternidade foram as vestimentas unificantes dos inúmeros interesses divergentes. Sob a égide desta bandeira a sociedade francesa subjugou os interesses da monarquia absolutista e da aristocracia. Cabeças rolaram, derrubou-se a Bastilha na defesa do interesse geral, e essa ingenuidade generalizada que garantiu facilidade na obtenção do controle por parte da burguesia.  Atrasada pelos interesses da aristocracia, que na França, herdeira dos estigmas feudais, forçava-se em manter-se no poder, apoiando-se no suposto direito histórico estabelecido, e na qual se fiavam alguns, seriam os déspotas iluminados; ou catalisada justamente pela exploração exacerbada destes supostos direitos sobre a terra e aqueles que nela habitam; por um, por outro, ou por ambos, a Revolução Francesa estourou. A classe mercantilista, os ...

Contínuos Herdeiros

Mesmo as escolhas feitas, que queremos acreditar serem exclusivamente nossas, estão enlaçadas no desenvolvimento histórico. Cada escolha bem ou mau feita é produto do somatório dos acasos particulares, é resultado específico de tal tipo histórico de colonização, feita por "x" colonizador, baseados e "n" interesses político-econômicos; são resultado também da forma como a distribuição e acumulação de renda ocorreram e ocorrem. Por mais livres e autônomos que queiramos ser e parecer, temos em nós uma parte vinculada à história, e não apenas nossa história de vida desde que nascemos, mas a histórica como o desenrolar das eras que colhe constantemente os frutos do que foi, e é, plantado...e temos que colhe-los

I.A. Possibilidades e Previsões

O porquê da inteligência artificial jamais igualar-se ao ser humano é a mesma resposta do porquê a conduta e comportamento deste é estimável, porém imprevisível. Na pequenez da mesquinharia humana e na grandiosidade da sua eventual entrega ao bem alheio reside uma equação matemática, estatística melhor dizendo, que rege todo o comportamento humano através das escolhas. Cada escolha, em nível de consciência e inconsciência, da mais medíocre à mais importante, é mero resultado de um processo estatístico complexo e inexpressável em condições inteligíveis.  Uma equação que contêm todas as inumeráveis variáveis humanas e suas variações em grau e intensidade do menos infinito ao mais infinito. Essa seria a fórmula regente da vida humana que somente o cérebro é capaz de executar, porém não pode expressa-la. Não podendo expressa-la não se consegue compreender a estrutura. A aposta em combinação de algorítimos não alcançaria a abstração dos sentimentos humanos, pois aquela reside n...

Muita Legislação Para Pouca Educação

Se considerássemos apenas o arsenal legislativo como parâmetro para classificação mundial, o Brasil certamente enquadrar-se-ia naqueles de primeiro mundo. Deveria ser uma demonstração de excelência judicial, no entanto, é a mais clara demonstração da incapacidade da população em medir, por ela mesma, as suas ações pelas  suas conseqüências. A medida positiva reside na ausência de ethos,  isto é, falta de conceitos morais geralmente construídos dentro do âmbito familiar, inicialmente, e sequencialmente nas demais instituições ao longo do desenvolvimento de qualquer indivíduo. Afinal, o que mais explicaria a necessidade de ter-se uma lei que obriga o uso do capacete, em motocicletas, quando a questão é a segurança própria da pessoa? O indivíduo que deveria ser o principal interessado em usar, e não ser obrigado. Porém, na falta de capacidade de discernimento entre o que é bom ou mau, a lei vem amparar esse vazio conceitual. Ainda que existam interesses econômicos por tr...

Conhecimento e Linguagem

A linguagem; precursora do evolucionismo comunicativo e tudo que a ele se atrela. Ou assim deveria ser.  A linguagem, como expressão escrita e falada, é o resultado de um processo de seleção lógico na cabeça de cada indivíduo, e exposto em letras e som articulado inteligivelmente. Com esta capacidade comunicativa, o potencial humano atingiu seu ápice. Porém, potencial não equivale necessariamente a efetivo; e na efetividade o homem reside, limitado pela arrogância e em sua débil capacidade comunicativa que vem beirando somente a emissão de palavras sem valor ou essência, galgando muito lentamente seu potencial total. Dada essa alucinação de que nos comunicamos pecamos no que é essencial nesta habilidade magnífica de nos comunicarmos, que é o aprendizado. Os diálogos são essenciais à evolução cognitiva e intelectiva; principalmente o diálogo consigo mesmo. O autoconhecimento e a ferramenta suprema do sucesso de sociabilidade e da busca de uma boa vida. Na filosofia o auto...

Efeitos da Lavagem Cerebral

Eis o que é feito no processo de lavagem cerebral: Divinização de valores fúteis Distorção das palavras atribuindo-lhes os valores futilizados. Chame muitas vezes de "bom" aquilo que interessa e ele será visto como "bom", mesmo que não seja. Assim como chamar de "ruim" algo que não seja, fá-lo-á ruim na visão dos pobres de espírito. É assim que a mais valia passa a ser justa, é assim que o produto do seu trabalho nunca foi nem será seu, mas você continuará achando o processo ótimo e viverá abraçado à própria doença. E assim a exploração e acumulação brilha como o elemento impulsionador da evolução econômica, tanto que quando tenta-se impor a justiça social, os donos do capital mostram seu lado negro, e aqueles que viveram abraçados à doença sentem-se ofendidos pela afronta feita aos seus donos, e compram a briga para si, na defesa da imbecilidade máxima: acreditam estar lutando pela suposta vida excelente que levam, mas defendem seus próprios ventr...

Humanidade

Herdeiro dos deuses se acha, mas rechaça os da própria especie, e pensa que merece tudo que lhe apetece. De tamanha pequenez se faz, que lhe apraz a dor, dos seus pares, dos seus males. Veloz ou lentamente, não importa, deseja apenas que soframos, desde o início, a derrota.

O Príncipe - Maquiavel

Nesta obra, feita como presente para o poder atual daquela época, no intuito de cair nas graças dos governantes e retornar ao seu cargo público, Maquiavel propõe uma análise histórica sobre os principados e suas causas de sucesso e derrota. Em sua maioria os sucessos dependeram do comportamento e ações do príncipe, e é sobre estas que ele mais discorre. Maquiavel expõe o poder do soberano como advindo da sua própria capacidade alinhada com alguma sorte. Tanto que as causas de sucesso e derrotas ao longo da história, são segundo ele, resultados da correspondência entre a fortuna e a virtude, ou resultados oriundos de apenas um deles -  sucesso para o primeiro e instabilidade para o segundo. Com isso ele também pretendia questionar o poder soberano ditado pela igreja e pela religião. A fortuna seira uma especie de sorte, acaso, situação apropriada, que percebida por alguém dotado de força, astucia, sagacidades, esperteza, entre outras virtudes convenientes à política, poderia vi...

Confusão ou Interesses Frustrados

Façamos de conta que a crise econômica é só econômica* Nada difere as características das políticas econômicas sugeridas pelo Ministro da Fazenda Levy das políticas econômicas da ditadura de 64; exceto o interesse frustrado daqueles que, em 1964, estiveram do lado que se beneficiou com as medidas ortodoxas de redução de custos, corte de gastos, aumento da arrecadação, taxas, juros e tentativa de controle inflacionário. Mas,hoje, encontram-se do lado que sofre com as mesmas medidas. Ou seja, é bem mais fácil aceitar e entender medidas corretivas da economia quando se está do lado beneficiado, mas dificilmente se aceita quanto se está na outra situação. Outra questão sem sentido em pedir intervenção militar quando as mesmas medidas corretivas que ela usaria, o governo atual já tem usado. A unica diferença é que na democracia a coerção pega mal. *situação que discordo segundo o texto Brasil, Crise Econômica?

Brasil, Crise Econômica?

Constantemente atribuí-se às oscilações da economia interna e externa a culpa da situação que se esteja apresentada. Os preços são o que são devido ao dólar, aos juros externos, a redução da exportação, à inflação, a redução de investimento privado, à taxa de câmbio, etc. Mas o que estaria realmente por trás da instabilidade econômica que se instalou no Brasil, e se apresenta com mais evidência em 2015? A estrutura econômica do país vem se construindo ao longo da história, oscilando entre períodos de crescimento e outros de instabilidade e crise. Geralmente resultantes em instabilidade, as políticas de crescimento econômico focadas em investimento resultavam em uma alta atividade econômica e um descontrole do crescimento inflacionário – que enquanto absorvido pela atividade era tolerável. Caracteristicamente cíclica, ou seja, a economia não ficaria infinitamente em alta atividade, a redução desta atividade e a redução da inflação, ocorrendo em tempo e velocidade diferentes, resu...

O SISTEMA CAPITALISTA NOS GARANTE MUITAS COISAS!

Mas seriam essas coisas o que realmente precisamos?   - Ou fomos disciplinados a acreditar e sentir que precisamos delas? Estariam, realmente, estas coisas disponíveis para serem obtidas? - Ou esta disponibilidade estaria maquiada pela meritocracia ludibriadora que superestima conquistas dos desiguais enquanto subvaloriza a importância dessa desigualdade? Seria o capitalismo o melhor dos sistemas?   - Ou seria um pouco pior, visto que a opressão é oculta, imposta e absorvida pelos próprios elementos sociais no frenesi da busca da satisfação das necessidades básicas, que estão sendo gradativamente futilizadas, tornando-se necessidades supérfluas, todavia, supervalorizadas? Estaria eu, ao questionar o capitalismo, propondo uma especie de socialismo?  - Ou esta seria a única argumentação dos pró-capital, incapazes de pensar além dos sistemas até então existentes, e segundo aqueles que qualquer um que ponha à prova o sistema instalado é indigno ...

Entendimento

Todos os sabores, não são mais do que atores de alguma excitação. Nenhuma visão, é mais do que um reflexo de uma movimentação. E a nossa audição, só é a reverberação dos autores em questão. somos sensações, mas construídas nos salões da nossa interpretação.

Carta Acerca da Tolerância - John Locke

Neste texto, Locke trata da separação fundamental entre as obrigações e limites essenciais ao poder civil e à religião. Segundo ele, o poder civil não deve intervir de modo algum, direta ou indiretamente, nos interesses e finalidades tocantes às religiões. Não deve coagir quem quer que seja ao culto de um deus específico, segundo sua vontade. Não deve tentar inserir qualquer alteração nos processos de culto, em sua forma e conteúdo. Locke também afirma que não há porque temer reuniões religiosas, desde que unicamente voltadas ao alimento da alma, nem coagi-las, ou impedi-las de expressar-se onde desejarem, pois seria essa mesma tentativa que tornaria qualquer reunião de pessoas em algo perigoso. Locke trata das obrigações do soberano, sendo estas delimitadas pelas questões mundanas, e tudo que seja extraterreno, ou melhor dizendo, transcendental é da obrigação das religiões. Outro ponto importante é que Locke não estipula uma religião sobre as outras; o caminho para os reinos d...

Verdades

Não existe nenhuma verdade sobre os fatos além daquela em que cada um acredita, pois construímos nossas concepções através daquilo que interpretamos das excitações externas, mas não sobre a própria essência das coisas ao nosso redor. Por isso os "segredos" do universo permanecerão secretos; ainda que diante de nós continuamente se mostrando, apenas registramos a nossa própria interpretação deles. Lembranças do passado não são o passado em sí, mas o passado como cada um o vê.  Memórias nada mais são do que idealismos construídos por cada um sobre cada coisa pensada. Nenhum parente, vivo ou morto, é como o vemos. E ai? e o processo de viver consiste em que então?   Quem disse que precisa consistir em algo? O modo de se viver cabe a cada um escolher. Viver segundo as próprias impressões ou viver na busca pela interpretação correta. Talvez a descoberta, se possível, valha a pena, talvez não!!

Thomas Hobbes - Parte II - Do Estado

       Thomas Hobbes - Parte II - Do Estado Após discorrer sobre a predisposição do homem para a guerra de todos contra todos, simultaneamente à predisposição a lutar pela própria sobrevivência resultando nos pactos, também, segundo as leis naturais, Hobbes trata agora dos motivos da existência do Estado. Sua estrutura, seus poderes e daqueles que o representam, seus limites perante Deus e as leis naturais. Trata também daquilo que pode prejudicar a saúde e permanência do estado de ordem garantido pelo soberano. Através de uma comparação do Estado com o corpo humano, ele apresenta os componentes daquilo que mantém seu funcionamento, a saber, corpos políticos, os fluxos monetários, instituições privadas, associados com os órgãos do corpo. Assim como compara as desordens, as irregularidades, ilegalidades, rebeliões, entre outros fatores prejudiciais ao poder soberano, com doenças do corpo que o debilitam, podendo levá-los a morte. Ainda que o homem tenha...

O Homem Animal

Como suprir o vazio existencial? Como preencher a falta de utilidade do homem frente a natureza? A falta de resposta culmina nas piores ações. Eis porque o homem subjuga os animais à sua vontade, à sua sordideza. Na futileza existencial o homem, com inveja dos animais, cuja existência está completamente definida e harmoniosa com a natureza, ele os castiga. Os oprime e sujeita aos mais abomináveis usos. E o mais trágico e triste é que o próprio homem acha a sua existência uma comédia digna de ser ridicularizada. Provas podem ser coletadas nos circos ao redor do mundo, onde o homem força aos animais a fazerem coisas que apenas o homem faria. Sejam focas, elefantes, macacos, sejam quais forem, o homem sabe que a maior punição que pode infligir-lhes é faze-los parecer com ele próprio.

Religião

A religião não é a questão, mas sim seu deturpador uso pelo homem. Na religião acalentam-se os corações daqueles que desejam respostas convenientes. É tão verdadeiro isso que são numerosos os deuses e religiões existentes. Religiões variadas para conveniências variadas. Não entendamos conveniências como algo necessariamente nocivo, mas independentemente disto, a utilização da religião resultante desta necessidade pode vir a ser perigosa. Religiões financiaram e legitimaram inúmeras ações contra povos tidos como pagãos. Religiões recentemente intervém na política, cada uma impondo suas características e dogmas sobre questões sociais, etc. Ou seja, uma doutrina cujo criador não pode ser contestado, dado sua origem divina, legitimaria de forma inquestionável qualquer atitude daquele que a segue. E para cada necessidade de um povo ou governante, que fosse tida como interesse de deus, seria até mesmo pecado não realiza-la. Para aquele que quisesse subjugar um povo, nada mais út...

O Homem é Um Universo

A origem de todas as coisas é a mesma. Seja da matéria cósmica ou da unidade divina, nossa essência é igual. Toda vida existente é composta de tudo que precisam para sobreviver, proliferar, e evoluir. E ao homem não foi diferente; recebeu todas as características em sua origem, inclusive na capacidade de se perceber como indivíduo pensante e definidor do meio. E ao abarcar em seu âmago um leque gigantesco de capacidades, apresentou-se-lhe a possibilidade de agir das inúmeras formas que age acerca das situações que se lhe apresentam. Ou seja, se o homem agiu com bondade, isto deve-se a uma seleção, involuntária ou não, do seu substrato essencial que assim o resultou. Similarmente vale para a maldade. Se assim agiu, deve-se a essa mesma seleção. Ou seja, o ser humano em sua essência não é definível, mas é um elemento composto por todas as possibilidades do ser. Suas escolhas imediatas são, então, regidas pela influência externa sobre aquele substrato interno. Somos todos cap...

Respostas Céticas x Religiosas

Por que seriam as respostas dos céticos, sobre fenômenos aparentemente inexplicáveis, menos aceitas do que a resposta religiosa? Sobre situações que são consideradas milagres, Os céticos dizem que tal tema pertence a uma área da qual não temos aparato adequado para promover o entendimento, não teríamos capacidade intelectiva para compreender, mas nem por isso tais efeitos deixam de ser naturais. A resposta religiosa seria dizer tratar-se de um milagre. Uma manifestação divina. Oras, aparentemente os céticos respondem, os religiosos atribuem, aceitam. Mas ainda que a resposta cética seja duvidosa, ela seria apenas tão duvidosa quanto a dogmática religiosa.

Dos Males o Pior

Historicamente repudiada por toda e qualquer sociedade, sob domínio de um estado organizado, e ao mesmo tempo disseminada nas veias das mesmas, disfarçada de pequenos delitos, indiferenças, conivências e mentiras; eis o cerne produtor da corrupção. É uma grande ingenuidade de uns e interesse de outros definirem como corruptor unicamente o que se atrela à política. Para ambos a ideia é eximirem-se de culpabilidade frente aos pequenos delitos que podem eventualmente cometer. "Ledo engano" daqueles que assim o pensam. Ainda que as diferenças quantitativas sejam consideráveis ou mesmo inquestionáveis, a essência dos atos é a mesma. A cola na prova, o troco errado não devolvido, o furto de coisas aparentemente imperceptíveis, fumar em local previamente proibido, ensinar criança acima da idade a fingir ter menos para obter algum benefício baseado na menoridade, etc. São todos pequenos delitos, vícios e atitudes de má fé, mas que a grande maioria não acredita serem sequer compar...

Leviatã – Thomas Hobbes

Leviatã – Thomas Hobbes Parte I – Do Homem “....o homem, antes de qualquer coisa, é um ser sensível....” Cabe salientar que toda construção da argumentação feita por Hobbes, está ligada a forma como ele descreve o entendimento humano. Este estaria fundamentado nas sensações. Elas seriam as responsáveis primarias pela forma como o homem se organiza. Partindo da descrição mais primitiva de sensação e suas consequências básicas, até a mais complexa organização social fundamentada nela mesma. Hobbes fala que as sensações seriam inicialmente a base do entendimento individual, a base da formulação dos conceitos; que através da linguagem, expressa em letras e fala, promoveriam a razão e a ciência, ou seja, promoveriam o entendimento social. E sobre elas reger-se-iam as relações intersociais, mas também nelas se fundamentam o estado de natureza e o conatus. Estes elementos estão diretamente ligados. Pois dada as inclinações do homem em satisfazer suas necessidades e prazeres...

Como eu faço as coisas

Dizem-me que enrolo nos pormenores, ensaio nos detalhes, discorro desnecessariamente, mas pensemos: assim como o que define um bom ato sexual são as preliminares bem feitas, logo, uma boa explicação depende de uma boa introdução. Pode-se usufruir de "uma rapidinha", mas geralmente os resultados são frustantes e o entendimento fica comprometido. Concordo que dependendo do tema, dispensa-se maiores detalhes, mas no geral, sempre prefiro fazer uma boa introdução, e explanar o máximo possível da proposição em questão.

A História Inconveniente

Quando tenta-se explicar a criminalidade ou condutas questionáveis, fundamentadas nas condições sociais, históricas e culturais, impostas aos indivíduos, encontra-se grande ceticismo e julgamentos de valor, assim como suas determinações transcendentais. Esse ceticismo nada mais é do que uma espécie de defesa construída, consciente ou inconscientemente, garantindo e legitimando todas as conquistas tidas como individuais. Admitir que a criminalidade é consequência da ausência do Estado com conivência da sociedade, amparadas pelos interesses econômicos de uma classe minoritária que dita as regras, e apoiada principalmente sobre a construção desigual tanto econômica como cultural, histórica e social, significaria dizer que o sucesso daqueles que não são "a criminalidade" restringem-se aos mesmo fatores, ainda que em diferentes graus. Por essa lógica, pensam estas pessoas, estarem deslegitimadas da construção das próprias conquistas. E estando a criminalidade constituída por u...

Religião e Argumentação

Não foi a moral que pegou valores religiosos e aplicou, mas justamente o contrário. Motivo pelo qual é possível estabelecer relações sociais bem sucedidas a partir, exclusivamente, da moral contemporânea (estabelecida transcendentalmente a moda de Kant).  A religião deve ser alimento particular, individual, mas jamais ferramenta de argumentação. Essa utilização só serve para gerar desconforto e discórdia.  Agora,quem não é capaz de formular argumentos que não sejam baseados na religião, tem seu aparato moral totalmente manipulável. Assim como suas opiniões e valores.

O Estado Produzindo a Criminalidade

A marginalização é a consequência direta da omissão Estatal. Onde o Governo é omisso, novas formas de sobrevivência surgirão. Em uma comunidade, quem diz que a população de lá não compreende as leis do Estado não percebe que eles precisaram criar suas próprias regras, normas e leis impulsionados na própria sobrevivência. O Estado nunca esteve lá, nunca ofereceu o mínimo senão por interesse eleitoral. Marginalizou (histórica e contemporaneamente) uma população que se espremeu nas periferias e buscou por conta própria a sua sobrevivência. Se estruturou e se organizou da forma necessária. Todo mundo quer viver, e não se trata de uma questão legal supostamente garantida pela Constituição. Se trata de obviedade. O ser humano pode ser totalmente utilitarista no que tange ao consumismo, ao frenesi capitalista, mas quando se trata de ser utilitarista no que tange a sua vida aí não pode?! É, realmente não pode, da mesma forma que uma população não pode ser esculachada dos centr...

A Chave

Gradativamente cerco-me de todas as dúvidas, pois nas certezas reside toda a ignorância.

Quando o Homem Nasce Mau

Segundo essa lógica, ainda pensa-se no homem como o homem hobbesiano (o homem é o lobo do homem). Ainda segundo essa lógica, o homem é inclinado às suas autossatisfações, busca ininterrupta pelo seu prazer e realização dos seus desejos, independentemente do que os demais seres humanos achem. Na ideia hobbesiana, dado essa característica peculiar do homem, o Estado é o responsável por subjugar de forma soberana os desejos descontrolados daquele ser. Tanto que atribuiu-se a ele a analogia ao monstro Leviatã, de indomável poder. Sob um Estado forte e soberano o homem condicionaria-se a viver e usar dos seus desejos de forma adequada. Porém, sendo o Estado, fraco, relapso e sua imagem muito longe de um Leviatã, o homem instintivamente cria novos sistemas que o protejam daquilo que o Estado anteriormente deveria fazer. Atualmente o capital privado, pelo menos para poucos, garantiu essa transferência de responsabilidades Estatais para meios privados, como segurança, ensino e saú...

Impressões e Ideias

Uma coisa curiosa sobre o homo sapiens contemporâneo é o seu "achismo". Toda a construção das nossas ideais deve estar baseada nas nossas impressões. Ex: só sabemos o que é o calor do fogo porque já sentimos, só sabemos o que são as linhas limites, arestas, pontos, porque vimos, só sabemos o que é uma dor de cabeça porque sentimos, etc. Não tem ligação com a explicação sobre as ideias mas unicamente em se houve a impressão. Porém habituamo-nos a estendermos nossas ideias para impressões que nunca tivemos e assim geramos noções deturpadas e errôneas do que são, porque são ou como são as coisas para essa ou aquela pessoa, ou ainda um determinado grupo social. Outra forma de entender a dependência das ideias nas impressões é imaginar alguém que nasceu cego. Como explicar o que é um quadrado se isso depende de explicar o que é uma linha, uma aresta ou como explicar o que é a cor verde? Suas noções, concepções ou ideias serão construídas através do tato, mas não pode-se g...

Sobre o Conceito de Caráter e as Confusões

Tem-se utilizado de uma definição conturbada, errônea e limitada do conceito de caráter para justificar pré-julgamentos. Percebe-se que os atributos dados ao termo "caráter" são atribuídos de forma arbitrária, conveniente e paradoxalmente transcendental, "caráter é x, y, z inerentes ao ser e coincidentemente eu me encaixo nesta definição, que bom." Este erro é fundamentado na própria incapacidade, e desinteresse, em analisar "por que penso desta forma?". Ou seja, em uma espécia de comportamento automático, através de informações superficiais mal formuladas e mal entendidas faz-se um julgamento de valor sobre o outro, ainda que as experiências individuais sejam totalmente diferentes. Aqui ocorre também o erro de imaginar que as impressões adquiridas por nós equivalem às impressões adquiridas pelos outros. Tem-se o habito de extrapolar-se ideias inerentes às experiências de um indivíduo aos demais. Mas essa ação é equivocada, a fome de 3 ou 4 horas ...